segunda-feira, 9 de março de 2009

Teatro e bom senso


Sábado fui à pré-estréia de "Cândida", texto de Bernard Shaw, com direção do talentoso Zé Henrique de Paula, em cartaz no Teatro Brigadeiro (sexta às 21h30, sábado às 21h e domingo às 18h; até 31/05).

A peça retrata o cotidiano de uma família aristocrática inglesa que vê sua rotina mudar com a chegada de um jovem poeta.

Não entraria na lista do que vi de melhor recentemente, mas tem suas virtudes, principalmente pela graça de algumas interpretações: o casal Fernanda Maia e João Bourbonaiss mostra afinação e timing para a comédia; Sérgio Mastropasqua, numa performance bastante técnica, atrai a simpatia para seu sisudo Reverendo Morell. Fiquei feliz também em ver o jovem Thiago Carreira, recém-formado no Macunaíma, se destacar em mais um trabalho. Ironicamente, quem menos acrescenta à história é a protagonista Bia Seidl.

O que mais me chamou atenção, entretanto, foi a completa falta de noção de algumas pessoas na platéia. Logo no acesso ao teatro, uma moça foi alertada pelo segurança de que não poderia entrar com seu saquinho de pipocas. Fez que entendeu, mas assim que o funcionário virou as costas, enfiou o pacote na bolsa e seguiu desimpedida. Ainda no segundo sinal, a drag Nany People causava certo incômodo porque sua enorme peruca dificultava a visão de todos atrás. Felizmente, foi convidada a sentar em outro lugar por alguém da produção. Pouco tempo depois do início do espetáculo, começou um vai-e-vem de pessoas saindo, em duplas ou sozinhas, para fazer sabe-se lá o quê. O pior é que entravam e saiam como se estivessem em casa, na frente da TV, assistindo "Caminho das Índias".

Onde foi parar o bom senso deste povo, meu Deus? Teatro não faz parte da cultura do brasileiro médio, ok, mas será que é tão difícil entender que é desrespeito ficar se levantando, comendo ou conversando enquanto existe gente concentrada no palco? Se não bastasse a tensão de estar totalmente exposto, fingindo ser outra pessoa, contando uma história que não escreveu e usando roupas que não são suas, o ator ainda tem que sofrer com a falta de educação do público? Só faltou um celular tocando - e alguém atendendo, para piorar um pouco. Este tipo de situação é cada vez mais comum, mas fiquei surpreso porque se tratava de uma sessão para convidados, ou seja, todos ali tinham alguma ligação, por menor que fosse, com o elenco. Se não respeitam nem um conhecido, o que não fariam com os outros?

Um comentário:

Carla disse...

Queridos, parabéns pelo blog. Postem bastante para eu pegar dicas descoladas. Beijos da Carla.